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Um modelo de concessão das ferrovias a ser proposto pelo Conselho de Desenvolvimento e Integração Sul (Codesul) para a Malha Sul é ter uma empresa principal responsável pela estrutura, incluindo os trilhos, e operadoras logísticas para fazerem a gestão das viagens, pagando por este uso. A informação foi dada à coluna pelo secretário-adjunto de Logística e Transportes do Rio Grande do Sul, Clóvis Magalhães, que atua na pauta com representantes de Santa Catarina e Paraná.

— As operadoras pagariam algo semelhante a um "pedágio" para a empresa principal, que usaria o recurso para investir na malha ferroviária — exemplifica.

Segundo ele, isso contemplaria algumas apreensões. Uma delas é não existir um monopólio na operação, como é hoje com a Rumo e que gera o tão criticado atendimento ao usuário. Também teria mais empresas para investir, garantindo a viabilidade econômica e exigindo menos contrapartida de dinheiro público no leilão.

Por fim — e principalmente —, este formato permitiria que a concessão fosse de toda a Malha Sul e não de forma fatiada como é a proposta atual, que gera o receio de que apenas pequenos trechos gerariam interesse de empresas. Os governos do Sul já divulgaram que encomendarão um estudo a ser usado de comparativo com o que está sendo feito pela Infra, agência ligada ao governo federal.

— As empresas de transporte hidroviário e rodoviário têm interesse também em ferrovias para ter garantia às suas operações — acrescentou.

Após uma forte mobilização da opinião pública sobre o sucateamento das ferrovias piorado com a enchente, a Malha Sul entrou no plano de concessões para 2026. Será feita ainda uma consulta pública. O descontentamento com a Rumo é grande, especialmente depois que a concessionária levou trilhos gaúchos para Santa Catarina. O contrato termina em 2027.

A coluna teve acesso ao longo ofício encaminhado pelo Codesul ao secretário Nacional de Transporte Ferroviário, Leonardo Cezar Ribeiro, no qual firmam posição contra o fatiamento das ferrovias para o leilão: "desincentiva investimentos, inviabiliza a lógica de corredor regional e compromete a competitividade do Sul" e segue dizendo que "diminui a atratividade dos trechos ao criar insegurança operacional, reduzir escala, limitar investimentos e romper a coerência dos fluxos ferroviários regionais."

A concessão da Rumo na Malha Sul compreende 7,2 mil quilômetros de trilhos nos três Estados, sendo que metade está fora de operação. No Rio Grande do Sul, após a cheia, a malha que funciona caiu de 1,68 mil para apenas 921 quilômetros. O Codesul estima que 46% dos caminhões operam em rotas que poderiam ser ferroviárias ou hidroviárias.

fonte: GZH / coluna da jornalista Giane Guerra



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