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O Conselho de Desenvolvimento e Integração Sul (Codesul) acompanhou, nesta terça-feira (20), o debate realizado na sede da Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Sul (FIERGS), em Porto Alegre, sobre o futuro da concessão da ferrovia Malha Sul. O encontro reuniu representantes dos governos federal e estaduais, do setor produtivo e de entidades ligadas à infraestrutura logística.

Participaram da reunião o coordenador do Grupo de Trabalho (GT) Ferrovias do Codesul e secretário de Portos, Aeroportos e Ferrovias de Santa Catarina, Beto Martins, e o representante do Rio Grande do Sul no Codesul e secretário-adjunto de Logística e Transportes, Clóvis Magalhães, reforçando o compromisso do bloco com a integração regional e a modernização da infraestrutura ferroviária.

Durante o encontro, o Sistema FIERGS defendeu a adoção de um novo modelo de parceria público-privada para a Malha Sul, cuja concessão atual se encerra no início de 2027. A proposta prioriza a integração da ferrovia com portos, polos logísticos e outros modais de transporte, além da modernização tecnológica da malha ferroviária.

O presidente do Sistema FIERGS, Claudio Bier, destacou que a logística ferroviária é estratégica para os três estados do Sul, especialmente para o Rio Grande do Sul, que enfrenta desafios adicionais por estar distante dos grandes centros consumidores e ter vocação exportadora. Segundo ele, a subutilização da malha e a perda de mais da metade da extensão ferroviária nas últimas décadas evidenciam a falta de planejamento de longo prazo para o setor.

A importância das ferrovias para a competitividade regional também foi ressaltada pelo coordenador do Conselho de Infraestrutura (Coinfra) da FIERGS, Ricardo Portella, que apontou a deterioração da Malha Sul como um entrave recorrente ao desenvolvimento econômico, tema frequentemente abordado no programa Rota FIERGS 2025.

No âmbito dos governos estaduais, Clóvis Magalhães associou a necessidade de reconstrução e requalificação da malha ferroviária ao processo de recuperação do Rio Grande do Sul após as enchentes, enfatizando que o desafio exige diálogo permanente com o governo federal e os demais estados do Sul. “O sistema ferroviário gaúcho ficou desconectado do país, o que impacta diretamente a indústria e sobrecarrega as rodovias”, afirmou.

Já Beto Martins, na condição de coordenador do GT Ferrovias do Codesul, reforçou a importância de uma abordagem integrada para a Malha Sul, considerando os desafios comuns enfrentados por Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná, e a necessidade de investimentos estruturantes para garantir eficiência logística e competitividade internacional à região.

Representando o governo federal, o secretário nacional de Transporte Ferroviário, Leonardo Ribeiro, apresentou o cronograma da nova concessão da Malha Sul. O edital do corredor gaúcho, com cerca de 880 quilômetros, está previsto para setembro, com leilão em dezembro. A concessão terá prazo de 35 anos, investimentos estimados em R$ 2,8 bilhões e capacidade de transporte de até 5,7 milhões de toneladas por ano. Ribeiro destacou ainda que a União poderá aportar recursos no novo contrato.

O debate reforçou o entendimento de que a modernização da Malha Sul é essencial não apenas para o Rio Grande do Sul, mas para toda a Região Sul, alinhando-se aos objetivos do Codesul de promover integração, desenvolvimento econômico e competitividade logística entre os estados membros.



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