Com o auditório do Instituto de Engenharia do Paraná em Curitiba lotado, representantes dos governos dos três estados do Sul e do Codesul reafirmaram na tarde desta segunda-feira (27) posições contrárias e pediram maior prazo para discussão e apresentação de alternativas à modelagem proposta pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) para concessão da Malha Sul ferroviária, cujo contrato termina em março de 2027. Foi durante a segunda sessão da Audiência Pública 011/2026, promovida pela ANTT, para tratar do novo contrato da concessão.
A ANTT apresentou as minutas do edital e do contrato de concessão da prestação do serviço público de transporte ferroviário de cargas associado à exploração da infraestrutura das ferrovias denominadas Corredor Paraná–Santa Catarina, Corredor Rio Grande e Corredor Mercosul. As próximas audiências acontecerão em Porto Alegre, nesta quarta-feira (29), e em Florianópolis, na sexta-feira (31). O Codesul marcou presença com os secretários Moisés Pessuti, do Paraná, e Vânia de Oliveira Franco, de Santa Catarina, além de integrantes do GT Ferrovias.
Estavam também presentes na audiência o secretário de Logística e Transportes do Rio Grande do Sul, Clóvis Magalhães, o secretário de Portos, Aeroportos e Ferrovias de Santa Catarina, Ivan Amaral, o presidente da Ferroeste do Paraná, André Luís Gonçalves, o diretor de Integracao de Modais da SPAF/SC, Lucas Sampaio Ataliba, e o diretor do BRDE Marcelo Canto. Participaram ainda parlamentares, prefeitos e representantes de setores produtivos e da sociedade civil dos estados do Sul.
Integração - “Não somos contra a concessão, mas queremos que seja a melhor para o país, que sirva efetivamente ao desenvolvimento socioeconômico dos três estados do Sul de forma integrada e não apenas aos trechos rentáveis”, afirmou a secretária do Codesul e da Articulação Nacional de Santa Catarina, Vânia Franco. “Não podemos aceitar esse fatiamento da Malha Sul proposto, em três lotes distintos. O ponto central aqui é que precisamos recapacitar a malha, ampliar a conectividade portuária e preservar a lógica da rede”, acrescentou a secretária.
O presidente da Ferroeste/PR e integrante do GT Ferrovias do Codesul, André Luís Gonçalves, disse que o Paraná está alinhado com os demais estados do Sul na reivindicação por maior participação da região na discussão sobre a modelagem apresentada pela ANTT para a concessão. “Não podemos discutir uma concessão para os próximos 30 anos de forma acelerada. Sabemos o que queremos e precisamos ser ouvidos, inclusive o Codesul está em vias de contratar, junto ao BRDE, um estudo para análise detalhada da proposta do governo federal”, afirmou.
Diálogo - “O resgate da ferrovia é um fator crítico ao desenvolvimento do país, não só da região Sul, que formou suas cadeias produtivas com esse modal presente, por isso estamos, os três estados, tão engajados na defesa de um modelo ferroviário potente”, disse o secretário de Logística e Transportes do Rio Grande do Sul, Clóvis Magalhães. “Porém, temos discordâncias em relação à modelagem apresentada e estamos aqui reivindicando uma maior abertura na pauta de discussões da concessão, para trazermos nossas contribuições, o que não tivemos até agora”, destacou.
O secretário de Portos, Aeroportos e Ferrovias de Santa Catarina, Ivan Amaral, disse que a concessão em vigor da Malha Sul não foi adequada nem serviu aos interesses dos estados da região. “Tememos agora que o novo contrato, para mais 30 anos, seja tão ruim quanto ou pior. Por isso há dois anos estamos tentando participar da construção da modelagem da nova concessão e não fomos ouvidos, os estudos não nos foram repassados”, argumentou o secretário. “Talvez, se tivéssemos participado das discussões, até teríamos concordando com a proposta”, afirmou.
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